conecte-se conosco

Notícias

Temporal na Baixada Santista deixa 18 mortos e 30 desaparecidos, diz Corpo de Bombeiros

Avatar

Publicado

em

Bombeiros trabalham em área de deslizamento em Guarujá, na Baixada Santista — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

Fortes chuvas causaram alagamentos, deslizamentos em morros e transtornos na região. Mortes ocorreram em Santos, São Vicente e Guarujá. Dois bombeiros morreram enquanto buscavam vítimas.

O temporal que caiu na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, provocou deslizamentos de terra em morros da região na madrugada desta terça-feira (3) e deixou 18 mortos e 30 pessoas desaparecidas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Dentre as vítimas, estão dois bombeiros que trabalhavam nas buscas em Guarujá, segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Veja onde ocorreram as mortes:

  • Guarujá – 15 mortes
  • Santos – 2 mortes
  • São Vicente – 1 morte

A tempestade causou alagamentos em vias públicas, afetou serviços (transporte, educação, fornecimento de água, energia elétrica e telefonia) e fez rodovias serem bloqueadas. A chuva – que continuou ao longo de todo o dia, com alguns períodos de interrupção – prejudicou a operação de buscas, encerrada por volta das 19h30, segundo os bombeiros. Os trabalhos devem ser retomados na manhã desta quarta-feira (4).

Locais atingidos por temporal na Baixada Santista — Foto: Reprodução/TV Globo

Locais atingidos por temporal na Baixada Santista — Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com o capitão e porta-voz do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, Marcos Palumbo, as equipes trabalham nas buscas em Santos, São Vicente e em Guarujá com 114 bombeiros e 29 viaturas. “Permanecem no local e só sairão após a localização de todas as vítimas e deixar todos os locais em segurança”, disse o capitão.

Inicialmente os bombeiros chegaram a falar em até 45 desaparecidos, mas o número posteriormente foi revisto.

“O número de desaparecidos é bastante volátil. (…) Esse número irá mudar no passar do dia”, disse o tenente André Elias, que trabalha no Gabinete do Comandante do Corpo de Bombeiros.

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), foi até Santos após o temporal e anunciou que o programa aluguel social será disponibilizado para as pessoas desalojadas após o temporal que atingiu a região da Baixada Santista.

A Defesa Civil do Estado e o Fundo Social de São Paulo coordenam a remessa de 4,6 toneladas de materiais para vítimas nas cidades de Guarujá, Santos e São Vicente.

João Doria, governador de São Paulo, durante uma coletiva de imprensa em Santos — Foto: Matheus Tage/A Tribuna

João Doria, governador de São Paulo, durante uma coletiva de imprensa em Santos — Foto: Matheus Tage/A Tribuna

Desabrigados e desalojados

De acordo com a Defesa Civil do Estado, até a tarde desta terça-feira, havia 200 desabrigados em Guarujá e sete em São Vicente. Também há 11 desalojados em São Vicente. Em Peruíbe, 65 pessoas deixaram temporariamente suas casas e foram recebidas no Centro Comunitário do Caraminguava.

Chuva

De acordo com a Defesa Civil do Estado de São Paulo, em 24h choveu mais de 100 mm em todas as nove cidades da Baixada Santista.

Foram 300 mm no Guarujá, 222 milímetros em Santos e 187 mm em São Vicente. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o normal esperado para o mês de março no Guarujá são 277 mm – ou seja, já choveu mais que o esperado para o mês na cidade.

O temporal começou na noite desta segunda-feira (2) e se estendeu durante toda a madrugada e manhã desta terça-feira (3). Moradores registraram alagamentos e ruas ficaram intransitáveis em toda a Baixada Santista. Passageiros de um ônibus mostraram o rápido aumento do nível da água no interior do veículo. Diversas linhas de ônibus e itinerários foram comprometidos pelo temporal.

Houve quedas de barreira nas rodovias Anchieta, Cônego Domênico Rangoni, Rio-Santos e Guarujá-Bertioga, que fazem a ligação de cidades da Baixada Santista com outras regiões do Estado de São Paulo.

Veja a situação nas cidades da Baixada Santista:

Guarujá

Guarujá foi um dos mais afetados pela tempestade na Baixada Santista. A Prefeito Valter Suman sobrevoou as áreas afetadas e decretou estado de calamidade pública e luto de três dias em razão das fortes chuvas que atingiram a cidade desde a noite desta segunda-feira (2). Também foi decretado ponto facultativo no município.

O temporal provocou deslizamentos em sete morros, sendo dois em grandes proporções (Morro do Macaco e Barreira do João Guarda). Em 24 horas, choveu 282 mm, o que era esperado para todo o mês de março.

“Com o decreto de calamidade pública, a cidade pode ter acesso a recursos federais para ações de socorro, assistência e restabelecimento de serviços essenciais. Estamos unindo todas as formas para amenizar os sofrimentos”, declarou o prefeito de Guarujá, Válter Suman.

A Secretaria de Educação suspendeu as aulas e as escolas estão abertas para receber doações.

Já as unidades próximas aos morros atingidos passaram a acolher famílias desabrigadas. Dentre esses locais, estão as escolas Sérgio Pereira (Av. Atlântica, 1516 – Barreira do João Guarda), Creche Conveniada Tio João (Vila Baiana) e Escola Paulo Freire (Av. Tancredo neves, s/nº- Santa Clara).

Além disso, o complexo de escolas ao lado do Teatro Procópio Ferreira servirá de alojamento para os desabrigados.

Os serviços de abastecimento de água, energia elétrica e telefonia sofreram oscilações durante esta terça. O transporte público também teve alteração nos itinerários.

Santos

A Defesa Civil de Santos atendeu a mais de 120 chamados nas últimas horas – a maior parte deles foi feita do morro do São Bento. Os morros da Caneleira, Bufo e Fontana, Santa Maria, Pacheco e do Saboó também sofreram com o alto índice pluviométrico da madrugada desta terça.

Um vídeo registrado por uma moradora do Morro do Tetéu flagrou o momento em que um pedaço de terra desabou.

Uma manicure de 35 anos salvou o ex-marido, que seria soterrado em um deslizamento de terra, também no Morro do Tetéu. Ela usou uma marreta para quebrar a parede e puxar o homem, que estava preso em um dos cômodos da casa.

A Prefeitura de Santos informou que, até o fim da tarde desta terça-feira, não havia um balanço sobre o número total de desabrigados. As famílias foram atendidas pela Secretaria de Assistência Social e pela Defesa Civil.

Algumas pessoas acolhidas foram levadas a cinco unidades da Prefeitura, incluindo as instituições conveniadas: Seabrigo, Seacolhe, Albergue Noturno, Casa das Anas e Abrigo de Emergência.

A Santa Casa de Santos recebeu vítimas das chuvas na Cidade. Uma criança de 7 anos foi internada na UTI Pediátrica, em estado grave. Um adulto de 43 anos com politraumatismos foi internado na enfermaria, e seu estado de saúde era considerado regular.

Por volta das 16h, deu entrada na unidade uma criança de 2 anos, do São Bento, com politraumatismos – até a última atualização desta reportagem, seu estado era considerado regular.

As escolas tiveram as aulas suspensas nesta terça-feira e o VLT parou de operar.

São Vicente

São Vicente registrou deslizamentos nos morros do Itararé, Barbosas, Ilha Porchat e Parque Prainha.

O prefeito Pedro Gouvêa decretou estado de calamidade pública no Município.

Na Vila Valença, em uma clínica de repouso, o chão de um cômodo cedeu e um homem foi encontrado morto. O local foi interditado. Sete moradias foram interditadas na Avenida Saturnino de Brito, no Parque Prainha.

Houve deslizamento de pedras na Avenida Newton Prado mas ninguém ficou ferido. No Morro dos Barbosas, houve deslizamento na região do hotel Chácara do Mosteiro. Os resíduos obstruíram a rua.

Em São Vicente, 11 pessoas foram atendidas pela Assistência Social.

A Ontrantur, empresa que opera o sistema de transporte municipal de São Vicente, informou que as linhas 106 e 107 do bairro Tancredo Neves adotaram um trajeto especial para atender à passarela que liga ao bairro Náutica III.

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) também teve a operação suspensa, devido a deslizamento de terra próximo ao túnel que faz a ligação entre as cidades de Santos e São Vicente.

O Centro de Atendimento de Traumatologia e Ortopedia (Cato) e o Reabilitar I, na Cidade Náutica, além das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Sambaiatuba, Pompeba e Vila Margarida, tiveram as atividades suspensas devidos aos alagamentos.

O acumulado de chuvas no período de 72 horas foi de 351mm. O total de chuvas registrado no mês de março em São Vicente é de 330,4 mm. O esperado para o mês é 400 mm. A cidade registrou o mês de fevereiro mais chuvoso dos últimos 67 anos. O índice pluviométrico alcançou a marca histórica de 915,2 mm.

Praia Grande

Praia Grande não registrou ocorrências graves em decorrência das fortes chuvas da madrugada desta terça.

Pontos de alagamentos foram registrados, mas não houve casos de desabrigados ou desalojados na cidade. O índice pluviométrico acumulado no período de 72h foi de 235 milímetros.

Mongaguá

A Prefeitura de Mongaguá informou que, em caso de necessidade, todos os prédios públicos ficariam à disposição para receberem as pessoas. As famílias foram encaminhadas e acolhidas no Clube da Melhor Idade do Centro.

As equipes da Assistência Social do Município registraram 68 pessoas desabrigadas, divididas entre adultos e crianças. Equipes da Administração percorreram a cidade para monitorar as vias.

Peruíbe

Em Peruíbe, 65 pessoas deixaram temporariamente suas casas e foram recebidas no Centro Comunitário do Caraminguava.

Não houve ocorrências e nem indicativos de áreas de risco. Algumas ruas ficaram alagadas, mas as águas escoaram.

Doações

As cidades da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, estão recebendo doações para as famílias que foram prejudicadas pelo forte temporal.

Bombeiros se mobilizam em buscas por desaparecidos em deslizamentos nos morros. — Foto: Reprodução
Bombeiros se mobilizam em buscas por desaparecidos em deslizamentos nos morros. — Foto: Reprodução
Morro de Guarujá, SP, registra deslizamento de terra após temporal — Foto: Divulgação/Prefeitura de Guarujá
Morro de Guarujá, SP, registra deslizamento de terra após temporal — Foto: Divulgação/Prefeitura de Guarujá










Fonte: G1.globo.com Santos

Continue lendo
Publicidade

Policia

Homem é assassinado a tiros no Centro de Mutum

Avatar

Publicado

em

MUTUM (MG) – Édipo de Oliveira Lucas, 31 anos, foi assassinado em Mutum, na tarde desta sexta-feira, 29/05.

Segundo a ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por conta de um crime de homicídio na rua José Martins, Centro. Édipo de Oliveira Lucas chegou a ser socorrida ao Pronto Atendimento, mas não resistiu e morreu. Ele foi atingido no abdômen e num dos braços.

Imagens de uma câmera mostram que dois autores utilizaram uma motocicleta XRE preta para chegar ao local. Eles se aproximaram e efetuaram os disparos que tiraram a vida do rapaz.

A PM segue em rastreamento para localizar os autores.

Fonte: Carlos Henrique Cruz – Portal Caparaó

Continue lendo

Notícias

Desmatamento na Amazônia tem tendência de alta no ano; veja 10 motivos de alerta sobre o tema

Avatar

Publicado

em

Depois de alta nos quatro primeiros meses, desmatamento segue crescendo também em maio. Multas paralisadas e ataques aos fiscais mostram que 2020 trará novo round no combate ao desmatamento na região.

O aumento no desmatamento, as mudanças na fiscalização e o avanço da pandemia entre os povos indígenas marcaram as primeiras 20 semanas do ano na Amazônia. Em 10 tópicos nesta reportagem, o G1 coloca em perspectiva os desafios que a região enfrenta neste 2020.

O crescimento da destruição da floresta, já verificado no primeiro trimestre do ano, continua mesmo com o avanço do novo coronavírus. Só primeiros 7 dias de maio, por exemplo, o desmatamento aumentou 64% em relação ao mesmo período de 2019, segundo análise do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Considerando o acumulado desde o início de 2020, foram 1.536 km² desmatados na Amazônia, alerta o WWF-Brasil. O alto índice colabora para que o Brasil apresente uma previsão contrária à dos demais países durante a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Segundo análise feita pelo Observatório do Clima, divulgada nesta quinta (21), as emissões devem subir entre 10% e 20% no Brasil em 2020 em comparação com 2018, quando foram disponibilizados os últimos dados.

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriudurantea reunião ministerial de 22 de abril, que seria hora de fazer uma “baciada” de mudanças nas regras de proteção ambiental para evitar críticas e processos na Justiça.

Para ele, o governo deveria aproveitar o momento em que o foco da sociedade e da mídia está voltada para o novo coronavírus para mudar regras. A fala foi documentada em vídeo divulgado na sexta-feira (22) após a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello.

Depois da divulgação do vídeo, o ministro se justificou em uma rede social. “Sempre defendi desburocratizar e simplificar normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei. O emaranhado de regras irracionais atrapalha investimentos, a geração de empregos e, portanto, o desenvolvimento sustentável no Brasil”, disse Salles.

Abaixo, veja em 10 pontos por que a situação Amazônia é motivo de preocupação:

1- Primeiro trimestre tem recorde histórico de desmate

Os alertas de desmatamento na floresta Amazônica bateram o recorde histórico para o primeiro trimestre de 2020, se comparado ao mesmo período dos últimos quatro anos, quando começou a série de monitoramento do sistema Deter-B, do Inpe.

Nos meses de janeiro, fevereiro e março, foram emitidos alertas para 796,08 km² da Amazônia. É um aumento de 51,45% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve alerta para 525,63 km².

2 – Imazon alerta para recorde em abril

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou que o desmatamento da Amazônia, em abril de 2020, foi o maior dos últimos dez anos. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do próprio instituto, que aponta 529 km² de floresta derrubada.

Em comparação com o mês de abril de 2019, houve um aumento de 171%. Segundo a organização, quase um terço (32%) de toda a área desmatada está no Pará.

3 – Sistema do governo aponta alta de mais de 60% em abril

O sistema Deter-B, desenvolvido pelo Inpe, apontou que os alertas de desmatamento na floresta Amazônica cresceram 63,75% em abril, se comparado ao mesmo mês do ano passado. Neste ano, foram emitidos alertas para 405,6 km², enquanto no ano anterior, no mesmo período, foram 247,7 km².

Mato Grosso foi o estado com a maior área agregada a receber avisos de desmatamento em abril: foram 144,58 km² – correspondente a 35,6% do total devastado. Em seguida, está Rondônia, com 103,97 km². O terceiro é o Amazonas, com 76,88 km². Em março, o número de alertas foi 20,9% superior ao mesmo mês de 2019.

4 – Multas por por desmatamento estão paralisadas

Segundo a organização não-governamental Human Rights Watch, as multas por desmatamento ilegal na Amazônia foram praticamente suspensas desde outubro de 2019, por causa de um decreto do governo Bolsonaro. A medida estabelece que as penalidades devem ser revistas em audiências de conciliação, nas quais podem ser oferecidos descontos ou até anulações da infração.

De acordo com a ONG, agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicaram milhares de multas por desmatamento ilegal e por outras infrações ambientais na Amazônia e em outras partes do Brasil. No entanto, em apenas cinco casos, foram realizadas as audiências, que impuseram aos infratores a obrigação de pagar multa.

ONG Human Rights Watch alerta para falta de cobrança de multas por desmatamento no Brasil
ONG Human Rights Watch alerta para falta de cobrança de multas por desmatamento no Brasil

5 – Previsão de aumento nas emissões

As emissões de gases de efeito estufa devem subir entre 10% e 20% no Brasil em 2020 em comparação com 2018, último ano de dados disponíveis. A análise feita pelo Observatório do Clima coloca o país na contramão de outras nações. A expectativa é de que a recessão causada pela pandemia de Covid-19 leve a uma queda de 6% na emissão destes gases no planeta neste ano.

A razão para que o Brasil contrarie a tendência mundial é o forte aumento no desmatamento da Amazônia, segunda nota técnica do Sistema de Estimativas de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima divulgada nesta quinta-feira (21).

6 – Exonerações no ICMBio preocupam o setor

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse em reunião ministerial que o foco da mídia na cobertura da pandemia é oportunidade para promover mudanças em marcos regulatórios; Salles foi duramente criticado por entidades.

Em 13 de maio, o Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro e entidades do setor criticaram as mudanças estruturais promovidas no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A autarquia federal é responsável por gerir e fiscalizar as áreas de conservação no país. Entre as mudanças em curso, estava a exoneração em série de chefes de 18 unidades de conservação. Eles passaram a trabalhar em endereços mais distantes do foco das ações. Em um dos exemplos, a sede de fiscalização ambiental da Floresta da Tijuca, no Rio, foi transferida para a unidade do Ibama em São Paulo.

Para o MPF, as mudanças são um “desastre” e essa ação torna a fiscalização “acéfala”.

Na véspera, onze coordenações do ICMBio foram substituídas por cinco gerências regionais. A Associação Nacional de Servidores de Meio Ambiente (Ascema) afirma que cargos de poder dentro do ICMBio estão sendo ocupados por PMs.

Em fevereiro, outra movimentação do Ministério do Meio Ambiente gerou preocupação: a pasta demitiu duas autoridades de alto escalão que atuavam no combate às mudanças climáticas. Com o aumento do desmatamento, eleva-se também a emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

7 – Operações do Ibama geram reações dentro do governo

No dia 30 de abril, o Ministério do Meio Ambiente e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, exoneraram Renê Luiz de Oliveira e o coordenador de operação de fiscalização, Hugo Ferreira Netto Loss, responsável por operações contra crimes ambientais no Brasil.

Segundo funcionários do Ibama, os coordenadores foram ameaçados de exoneração do cargo após reportagem no Fantástico mostrar uma operação realizada pelo Instituto para fechar garimpos ilegais e proteger as aldeias de quatro terras indígenas no Sul do Pará: Apyterewa, Cachoeira Seca, Trincheira, Bacajá e Ituna Itatá.

Na ocasião, fiscais do Ibama apreenderam dezenas de armas e destruíram mais de 70 tratores e outros equipamentos.

Em nota, o Instituto Socioambiental (ISA) questionou as exonerações no Ibama, afirmando que não existia razão para demitir os fiscais “que diminuíram ou acabaram com o desmatamento” em Terras Indígenas. “Por que retirá-los no momento em que eles combatiam o garimpo?”, diz o ISA.

Procurado pelo G1, o Ministério do Meio Ambiente informou que “é prerrogativa do novo diretor compor a equipe com nomes capacitados e da sua confiança”.

Em fevereiro, uma outra operação do Ibama na terra indígena Ituna Itata, também no Pará, já tinha desagradado parte do governo por causa da destruição de equipamentos de garimpeiros. O garimpo em terra indígena conta com o apoio de Bolsonaro. Ele já declarou publicamente diversas vezes que é contra a queima de maquinário.

Em 5 de maio, o presidente deixou aparecer uma mensagem em que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro ressaltava que a Força Nacional não havia destruído máquinas de desmatadores durante operação do Ibama, em abril.

“Coronel Aginaldo da FN [Força Nacional] também nega envolvimento da FN nas destruições. FN só acompanha Ibama nas operações para segurança dos agentes, mas não participa da destruição de máquinas”, escreveu Moro. O site “O Antagonista” exibiu esse trecho das mensagens.

8 – Investigações apuram fraudes em manejos florestais

Em março, a Polícia Federal deu detalhes sobre as investigações que apuram a aprovação fraudulenta de Planos de Manejo Florestais, realizados por servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), em empreendimentos rurais para exploração de madeira.

A ações buscavam acobertar a exploração ilegal de madeira em áreas de proteção federal, como em terras indígenas e na Reserva Biológica Gurupi. Na prática, segundo a PF, o objetivo da associação criminosa era desmatar mais áreas florestais em áreas indígenas e federais para gerar mais dinheiro, a favor de empresas rurais e de servidores públicos.

As fraudes puderam ser comprovadas por imagens de satélite. Algumas fotos mostram a extração de madeira invadida na Reserva Indígena Arariboia, na área de floresta amazônica no Maranhão, que tem 413 mil hectares.

Área em vermelho mostra a área de desmatamento que excede a área azul, na Terra Indígena Arariboia — Foto: Reprodução/TV Mirante

Área em vermelho mostra a área de desmatamento que excede a área azul, na Terra Indígena Arariboia — Foto: Reprodução/TV Mirante

Segundo a PF, o grupo criminoso entrava com um pedido de desmatamento de uma área e explorava outra. As investigações foram lentas, segundo a PF, por conta de foro privilegiado de alguns investigados e documentos que sumiram da Sema.

Sobre as acusações, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, informou apenas que vai cooperar com todas as investigações, sempre que necessário, e que não foi procurado pela Polícia Federal a respeito da operação.

9 – Novo ‘Conselho Nacional da Amazônia’

Em janeiro de 2020, Bolsonaro anunciou a criação do Conselho da Amazônia Legal, para “coordenar as diversas ações em cada ministério voltadas para a proteção, defesa e desenvolvimento sustentável” do bioma.

Nos primeiros meses, já houve atritos: em fevereiro, o presidente excluiu os governadores da Amazônia Legal do conselho. O órgão passou a ser formado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e por 14 ministros do governo federal.

À TV Globo, Mourão afirmou que, mesmo sem compor o conselho, os governadores seriam consultados para estabelecer as prioridades para a região. Bolsonaro, na ocasião, reforçou que a presença dos governadores não faria sentido.

Como o novo Conselho, o governo pretende implantar nova dinâmica de fiscalização com apoio das Forças Armadas. Desde o começo de maio, o governo federal voltou a usar a garantia da lei e da ordem (GLO) para enviar militares à floresta. Na primeira fase da operação, o governo diz que vai empregar 3,8 mil homens e 122 veículos ao custo de R$ 60 milhões para atuar no combate ao desmatamento ilegal e aos focos de incêndio na região.

10 – Fiscais atacados e emboscada

A Polícia Federal investiga as agressões sofridas no começo de maio por um fiscal do Ibama em Uruará, no sudoeste do Pará. O fiscal teria apreendido um caminhão que transportava madeira ilegal na região. Os madeireiros prepararam uma emboscada para impedir que o veículo fosse apreendido. Durante a discussão, um dos madeireiros joga uma garrafa contra o fiscal e o atinge no rosto.

E mais: mudança na regularização de ocupação de terras públicas

A regularização de terras da União por meio de autodeclaração dos próprios ocupantes foi tema de debate e mobilização neste mês. O presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória sobre o assunto em dezembro do ano passado. Com validade de 120 dias, a matéria precisaria ser votada até 19 de maio no Congresso, mas isso foi descartado. No lugar da MP, o deputado Zé Silva (SD-MG), líder do Solidariedade, protocolou um projeto de lei.

Para entidades de defesa do meio ambiente, nem a MP e nem o projeto de lei oferecem mecanismos fortes de controle da grilagem e de cumprimento da legislação ambiental. Entenda aqui o que está em jogo.

Fonte: g1.globo.com

Continue lendo
Publicidade

Facebook

Siga-nos

Publicidade

Mais lidas