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Esportes

Chierighini vence os 100m livre e equipe mista “herda” ouro em dia de sete pódios na natação

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Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Velocista bate astro americano e revezamento 4x100m medley misto é “promovido” após desclassificação dos Estados Unidos em dia com mais pódios do país na piscina em Lima

A natação brasileira obteve 12 medalhas nos dois primeiros dias de competições nos Jogos Pan-Americanos de Lima. E, nesta quinta-feira, a galeria de conquistas aumentou ainda mais, liderada por um sólido triunfo de Marcelo Chierighini nos 100m livre sobre o astro norte-americano Nathan Adrian, atleta mais condecorado que disputa o torneio continental. O segundo ouro da noite veio no revezamento 4x100m medley misto graças a uma desclassificação dos Estados Unidos.

Ao todo, foram sete medalhas, das quais duas de ouro, duas de prata e três de bronze. Com 19 láureas e dois dias de finais pela frente, o país já se aproxima do recorde particular de 26 pódios registrado no Rio 2007 e Toronto 2015.

Foram dois pódios na prova mais nobre da modalidade, os 100m livre. Na disputa feminina, Larissa Oliveira ficou com o bronze ao registrar 55s25, atrás da norte-americana Margo Geer (54s17, ouro) e da canadense Alexia Zevnik (55s04, prata). Daynara de Pauta foi a sétima colocada, com 56s88.

Foi a primeira vez desde 2007 que a natação feminina do país subiu ao pódio na distância. Larissa já havia ido ao pódio, também com um bronze, nos 200m livre na quarta.

Larissa Martins de Oliveira — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Larissa Martins de Oliveira — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

– Os tempos acho que fiquei um pouco a desejar, do que treinei, do que eu queria, mas conseguir uma medalha é algo a ser muito comemorado. Saio feliz por isso – afirmou Larissa.

Larissa Martins de Oliveira — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Larissa Martins de Oliveira — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

O paulista Marcelo Chierighini, que há anos se mantém entre os melhores do mundo na distância símbolo da natação, fez ainda melhor. O velocista venceu os 100m livre com um bom tempo (48s09), à frente do americano Nathan Adrian (48s17), campeão da prova nos Jogos de Londres e detentor de oito pódios olímpicos, em 2012. Foi a primeira láurea dourada individual dele em Pan.

Marcelo Chierighini entre Nathan Adrian (à esq.) e Michael Chadwick no pódio dos 100m livre — Foto: REUTERS/Sergio Moraes

Marcelo Chierighini entre Nathan Adrian (à esq.) e Michael Chadwick no pódio dos 100m livre — Foto: REUTERS/Sergio Moraes

– Eu estou muito feliz e não só pela medalha. Último Pan-Americano eu fiquei com o bronze. E nesse aqui está mais forte. O Nathan é um cara sensacional, que eu sempre via nadando, campeão olímpico. Um cara exemplar, para se espelhar. E ganhei dele. Sem palavras, estou muito feliz – disse.

A comemoração de Marcelo Chierighini após o ouro nos 100m livre — Foto: REUTERS/Sergio Moraes

A comemoração de Marcelo Chierighini após o ouro nos 100m livre — Foto: REUTERS/Sergio Moraes

O bronze ficou com outro americano, Michael Chadwick (48s88). Breno Correia terminou na quinta posição (49s14).

– Significa muito ter um cara como o Marcelo dizendo coisas boas sobre mim. Essas palavras querem dizer que estou fazendo as coisas certas. E a medalha também diz isso. É uma prova boa de competir. Estou me divertindo aqui. Espero continuar competindo com o Marcelo – afirmou Adrian, que superou um câncer no testículo diagnosticado no início do ano para voltar à natação.

É o terceiro triunfo brasileiro nos 100m nos últimos quatro Jogos Pan-Americanos: Cesar Cielo levou a melhor no Rio 2007 e em Guadalajara 2011. A sequência só foi quebrada em Toronto 2015, quando o argentino Federico Grabich subiu ao alto do pódio.

Marcelo Chierighini larga na prova dos 100m livre — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Marcelo Chierighini larga na prova dos 100m livre — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Chierighini foi às finais dos 100m nos últimos quatro Campeonatos Mundiais de Esportes Aquáticos (Barcelona 2013, Kazan 2015, Budapeste 2017 e Gwangju 2019) e também à dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Integrante cativo do revezamento 4x100m livre brasileiro, ele tinha em seu currículo um bronze na prova nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

O outro ouro veio na última prova da noite, com o revezamento 4x100m medley misto (Guilherme Guido, João Gomes Júnior, Giovanna Diamante e Larissa Oliveira) levou a medalha de prata. Mais uma vez, atrás dos EUA. Os americanos, porém, acabaram desclassificados porque o segundo nadador a ir à água, Cody Miller, executou uma pernada ilegal na virada. Os Estados Unidos protestaram. A PanAm, organizadora dos Jogos, reviu o lance no vídeo da transmissão e manteve a punição. A equipe americana ainda tentou usar um vídeo próprio como argumento, mas teve o pedido negado.

Giovanna, João Gomes, Larissa e Guido com o ouro no revezamento 4x100m medley misto — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Giovanna, João Gomes, Larissa e Guido com o ouro no revezamento 4x100m medley misto — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

– Acabou a prova, a gente saiu rapidamente e já estavam chamando para a premiação. Estávamos sentados e aí o pessoal da Argentina começou com um burburinho de que os Estados Unidos teriam sido desclassificados. A gente achou que não ia acontecer nada. Mas, do nada, nos avisaram que tínhamos ganhado. É sempre bom subir no lugar mais alto do pódio – disse João, que já havia vencido os 100m peito.

Assim, os brasileiros ficaram com o ouro, o Canadá com a prata e a Argentina com o bronze. A prova entrou para o programa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no próximo ano.

– Meu primeiro Pan, minha primeira medalha. Estou muito feliz de dividir com essa equipe maravilhosa – disse Giovanna.

Etiene de bronze

Etiene Medeiros exibe medalha de bronze dos 100m costas no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Etiene Medeiros exibe medalha de bronze dos 100m costas no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

A produtiva noite brasileira não parou nos 100m livre. Na mesma distância, mas no estilo costas, Etiene Medeiros levou o bronze com o tempo de 1min00s67. À frente dela ficaram a americana Phoebe Bacon (59s47, ouro) e a canadense Danielle Hanus (1min00s34, prata). A curitibana Fernanda de Goeij chegou na quinta posição em 1min01s59.

A pernambucana havia sido campeã da prova nos Jogos de Toronto, em 2015. Na ocasião, ela tornou-se a primeira nadadora brasileira a faturar um ouro em prova individual.

Antes de ir ao pódio para receber sua medalha, a nadadora foi até a arquibancada para buscar a bandeira de seu estado natal, e com ela ficou até depois da premiação.

Guido bate na trave

Guilherme Guido (à dir.) após a final dos 100m costas — Foto: Sergio Moraes/Reuters

Guilherme Guido (à dir.) após a final dos 100m costas — Foto: Sergio Moraes/Reuters

Na versão masculina dos 100m costas, Guilherme Guido chegou muito perto do ouro, mas terminou em segundo lugar (53s54), atrás do americano Daniel Carr (53s50) e à frente do trinitino Dylan Carter (54s42).

Foi a segunda vez que o paulista de 32 anos bateu na trave. No Pan de Toronto, há quatro anos, ele também havia sido o vice-campeão. Além disso, ele ostenta um bronze na prova do Pan de Guadalajara, em 2011.

Viviane faz história na maratona e na piscina

Viviane Jungblut após a chegada nos 800m livre — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Viviane Jungblut após a chegada nos 800m livre — Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press

Inesperada, mas muito comemorada, foi a medalha de Viviane Jungblut nos 800m livre. O bronze que a gaúcha de 23 anos arrebatou acabou sendo o primeiro de uma nadadora do país na prova. Além disso, ela tornou-se a primeira brasileira, entre homens e mulheres, a ir ao pódio tanto na piscina quanto na maratona aquática – há poucos dias, ela levou o bronze nos 10km.

– Esse sabor da medalha aqui na piscina é diferente, mais gostoso. Eu sabia que seria um grande desafio, mas consegui fazer uma grande prova – disse Viviane.

Grata surpresa

Miguel Valente festeja pódio nos 800m livre — Foto: Pilar Olivares/Reuters

Miguel Valente festeja pódio nos 800m livre — Foto: Pilar Olivares/Reuters

A superação da gaúcha parece ter inspirado o mineiro Miguel Valente, que com uma excelente atuação nos 800m livre masculino – liderou praticamente toda a prova – levou a prata (7min56s37). Ele foi ultrapassado somente nos últimos 50m pelo americano Andrew Abruzzo (7min54s70), mas se manteve adiante do mexicano Ricardo Jacobo (7min56s78).

– Eu sabia que o americano vinha bem e estava forte, mas consegui fazer muito próximo do meu melhor e graças a Deus veio a medalha – disse Miguel.

Com informações do Felipe Brisolla e João Gabriel Rodrigues — Lima, Peru/globoesporte.globo.com

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