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Brasil entra na lista dos 6 países que ultrapassaram a barreira dos 10 mil mortos por Covid-19; veja comparativo

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Com o marco negativo, o país entra no grupo de seis países com mais fatalidades em todo o mundo, veja como foi a evolução dos casos no cenário internacional.

O Brasil registrou até o momento mais de 10 mil mortos por complicações do novo coronavírus (Sars-Cov-2) desde que o primeiro caso no país foi relatado em março, segundo o levantamento das secretarias estaduais de Saúde da sexta-feira (9).

Mortes por coronavírus no país — Foto: Arte G1
Mortes por coronavírus no país — Foto: Arte G1

Mortes por coronavírus no país — Foto: Arte G1

A Covid-19 matou 10.017 pessoas no Brasil, o que coloca o país como o sexto com mais mortes por causa da doença, atrás dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha e França. A primeira morte oficial pelo novo coronavírus no Brasil aconteceu há 53 dias. Desde registro inicial, o país chegou a mais de 146 mil infectados.

Assim como o Brasil, outros países viram o número de casos e mortes aumentar e integram o grupo com mais de 10 mil vítimas da Covid-19. Em todos eles, medidas foram tomadas para conter o avanço da doença, embora posturas contra o isolamento social tenham sido comuns:

  • Com quarentena menos rígida no início da epidemia, a Itália viu o seu número de mortos crescer rapidamente e chegou a se tornar o epicentro da doença na Europa.
  • O Reino Unido demorou para apresentar uma resposta eficaz à doença e apostou em formas alternativas de combate, como a imunização de rebanho e se tornou o país com mais mortes no continente.
  • A Alemanha demorou mais tempo que a Itália para colocar em práticas medidas de distanciamento social, mas a boa preparação do seu sistema de saúde ajudou a garantir uma letalidade mais baixa e o país já planeja sua reabertura.
  • Os EUA demoraram a implementar ações de isolamento e, quando foi feita uma testagem em massa, o país apareceu como o novo epicentro da doença no mundo.
  • Quando a Espanha se tornou um dos países mais afetados pela Covid-19, o governo espanhol decidiu decretar emergência e tornar o isolamento obrigatório.
  • Previsto para durar inicialmente apenas 15 dias, o governo da França estendeu o isolamento para no mínimo 6 semanas por conta do avanço da doença no país.

Avanço do coronavírus nos países

PaísNúmero de mortesMortes por 100 mil habitantes
Brasil10.0144,78
França26.23339,16
Espanha26.29956,03
Itália30.20150,03
Reino Unido31.31646,99
Estados Unidos77.18023,52

Fonte: Universidade Johns Hopkins e Secretarias estaduais de Saúde

Pesquisadores que acompanham o surto de coronavírus pelo mundo (leia mais abaixo) fazem a ressalva de que o índice de casos confirmados nos países depende da política de testes adotada em cada um deles – e também da quantidade de equipamentos à disposição.

Além disso, os especialistas reforçam que cada país tem um cenário específico de combate à pandemia e que medidas de contenção têm que levar em conta as especificidades locais.

Veja, abaixo, os marcos dos países com mais vítimas da Covid-19:

Brasil

Gráfico mostra evolução do número de mortes no Brasil — Foto: Juliane Monteiro/G1
Gráfico mostra evolução do número de mortes no Brasil — Foto: Juliane Monteiro/G1

Gráfico mostra evolução do número de mortes no Brasil — Foto: Juliane Monteiro/G1

  • 17/03 – Primeira morte é confirmada em São Paulo
  • 08/05 – Pico diário de mortes (827; pela contagem do Ministério da Saúde, foram 751)
  • 08/05 – O país chega aos mais de 10 mil casos

O Brasil completou mais de 10 mil mortes enquanto começou a ter medidas mais severas de isolamento em zonas que já vivenciam uma sobrecarga no sistema de saúde, como cidades do Norte e do Nordeste do país.

Na terça-feira (5) o governo do Pará decretou lockdown na capital, Belém, e em outras grandes cidades do estado. Na Região Nordeste, Maranhão e Ceará também decretaram medidas similares. Em São Paulo, estado onde houve a primeira confirmação de Covid-19 no país, as medidas de distanciamento social e o fechamento de comércios não essenciais foram prorrogadas.

O Ministério da Saúde afirma que não há como saber exatamente quantas pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus no país. Sem a testagem em massa, boa parte dos portadores assintomáticos ou com sintomas leves não chega a ser testada e a prioridade é para os pacientes graves.

França

Evolução da Covid-19 na França — Foto: Juliane Souza/G1
Evolução da Covid-19 na França — Foto: Juliane Souza/G1

Evolução da Covid-19 na França — Foto: Juliane Souza/G1

  • 15/03 – Primeira morte na França
  • 07/04 – Pico diário de mortes (1.417)
  • 07/04 – O país registra 10.328 mortes

França registrou sua primeira morte por Covid-19 em 15 de fevereiro. O pico diário de casos aconteceu 53 dias depois, e em 24 horas o país contabilizou 1.417 mortos – no mesmo dia em que ultrapassou a marca das 10 mil mortes.

O país europeu chegou a estender o prazo das medidas de isolamento para conter o avanço da doença e, por conta dos bloqueios, a França viu uma queda nas hospitalizações e já anunciou a reabertura de colégios a partir de segunda-feira (11).

Espanha

Evolução de mortes na Espanha — Foto: Juliane Souza/G1
Evolução de mortes na Espanha — Foto: Juliane Souza/G1

Evolução de mortes na Espanha — Foto: Juliane Souza/G1

  • 03/03 – Primeira morte confirmada na Espanha
  • 02/04 – País registra pico diário de mortes (1.417)
  • 02/04 – O país chega chega as 10.328 mortes

Em 3 de março, a Espanha registrou sua primeira morte por complicações da Covid-19, apenas um mês depois o país já contabilizava 10.348. No mesmo dia, em 2 de abril, ela atingiu o pico de mortes, registrando 961 vítimas em 24 horas.

O país foi um dos que tomou as medidas de isolamento mais controladas de todo o continente europeu. Com a queda no número de infectados e a redução nas contagens diárias de mortes o país já começa a se reabrir gradualmente.

No domingo (3) os residentes puderam sair de casa para caminhar e praticar esportes individuais, pela primeira vez em mais de 1 mês.

Itália

Gráfico mostra evolução de mortes na Itália — Foto: Juliane Souza/G1
Gráfico mostra evolução de mortes na Itália — Foto: Juliane Souza/G1

Gráfico mostra evolução de mortes na Itália — Foto: Juliane Souza/G1

  • 23/02 – Primeira morte confirmada na Itália
  • 27/03 – Pico de mortes (919)
  • 28/03 – Chegou a 10.023 mortes na Itália

Por muito tempo o país mais afetado da Europa, a Itália teve sua primeira morte em 21 de fevereiro. quase 5 semanas depois o país já ultrapassava as 10 mil vítimas do novo coronavírus. Um dia depois de atingir o pico diário de 919 mortes, o governo italiano contabilizou 10.023 vítimas da Covid-19.

O país demorou para responder à emergência além de impedir que governos regionais tomassem medidas de isolamento individuais. A decisão afetou a forma com que o país enfrentou a epidemia e até o dia 9 de maio, a Itália registrava mais de 30 mil mortes.

Reino Unido

Representação gráfica de mortes por Covid-19 no Reino Unido — Foto: Juliane Souza/G1
Representação gráfica de mortes por Covid-19 no Reino Unido — Foto: Juliane Souza/G1

Representação gráfica de mortes por Covid-19 no Reino Unido — Foto: Juliane Souza/G1

  • 06/03 – Primeira morte confirmada no Reino Unido
  • 10/04 – O país chega a 10.760 mortes
  • 21/04 – Pico de mortes no Reino Unido (1.172)

Inicialmente o país optou por um isolamento vertical e apostou na imunização de rebanho, mas voltou atrás ao ver as projeções de casos e mortes aumentar no país que ultrapassou a Itália e se tornou o com mais casos em toda a Europa, são até o momento mais de 31 mil mortes.

O Reino Unido contabilizou sua primeira morte em 6 de março, e pouco mais de 1 mês depois já marcava as 10.760 vítimas. O pico aconteceu dias depois, em 21 de abril, quando o país registrou 1.172 mortes em apenas 24 horas.

Estados Unidos

Gráfico com representação de mortes nos EUA por coronavírus — Foto: Juliane Souza/G1
Gráfico com representação de mortes nos EUA por coronavírus — Foto: Juliane Souza/G1

Gráfico com representação de mortes nos EUA por coronavírus — Foto: Juliane Souza/G1

  • 29/02 – Primeira morte confirmada nos Estados Unidos
  • 04/04 – O país tem 10.855 mortes
  • 29/04 – Pico de mortes (2.612)

Os Estados Unidos registraram sua primeira morte no final de fevereiro, mas em apenas 36 dias o país ultrapassava as 10 mil. Em 4 de abril, o governo norte-americano anunciava a contagem de 10.855 mortes, mas ainda estava longe de chegar ao pico da doença até o momento.

Em 29 de abril o país teve o maior número diário de mortes, com 2.612, mas os Estados Unidos estão há mais de 1 mês com uma contagem diária acima das 1.000. A maior parte das vítimas, mais de 25 mil, se concentra na cidade de Nova York que viu um colapso no seu sistema de saúde e funerário.

O presidente Donald Trump mudou seu discurso diversas vezes durante a epidemia e chegou a dizer que iria pôr fim às medidas de isolamento nos EUA antes da Páscoa. Ele voltou atrás e garantiu que não acabaria com as medidas “de forma precipitada”. O país tem hoje cerca de 1,3 milhão de casos confirmados da doença.

Subnotificação e governança

O professor da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, Domingos Alves, disse ao G1 que, no Brasil, a subnotificação dificulta o acompanhamento da epidemia e o desenvolvimento de políticas de combate e proteção.

“O governo tem que começar a liberar dados mais fidedignos, mais estruturados para que se possa fazer o acompanhamento da epidemia” – Domingos Alves, professor da FMRP.

Ele ainda estima que as mortes no país já estejam em mais de 10 mil.

Para o ex-diretor do Instituto Adolfo Lutz e epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública da USP, Eliseu Waldman, os altos índices dos EUA são inesperados mas que acompanham, segundo ele, uma má-governança do país.

“Não se esperava inicialmente que a pandemia alcançasse os resultados nas dimensões que tem alcançado nos EUA” – Eliseu Waldman, epidemiologista.

Ele justifica a surpresa porque, ao ser uma das maiores economias do mundo, e ter um sistema de vigilância em saúde bastante efetivo, o esperado era que a resposta dos EUA fosse eficaz. Mas o pesquisador ressalta que um dos pontos fracos do país é seu sistema de saúde não universal.

Waldman também destacou que a Bélgica, um país pequeno e com boa estrutura de saúde, se arriscou a princípio ao não tomar medidas mais fortes de controle e isolamento. Para ele, esse também é um dos motivos que colocou o país entre os mais afetados em toda a Europa.

Fonte: g1.globo.com

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Policia

Homem é assassinado a tiros no Centro de Mutum

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MUTUM (MG) – Édipo de Oliveira Lucas, 31 anos, foi assassinado em Mutum, na tarde desta sexta-feira, 29/05.

Segundo a ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por conta de um crime de homicídio na rua José Martins, Centro. Édipo de Oliveira Lucas chegou a ser socorrida ao Pronto Atendimento, mas não resistiu e morreu. Ele foi atingido no abdômen e num dos braços.

Imagens de uma câmera mostram que dois autores utilizaram uma motocicleta XRE preta para chegar ao local. Eles se aproximaram e efetuaram os disparos que tiraram a vida do rapaz.

A PM segue em rastreamento para localizar os autores.

Fonte: Carlos Henrique Cruz – Portal Caparaó

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Notícias

Desmatamento na Amazônia tem tendência de alta no ano; veja 10 motivos de alerta sobre o tema

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Depois de alta nos quatro primeiros meses, desmatamento segue crescendo também em maio. Multas paralisadas e ataques aos fiscais mostram que 2020 trará novo round no combate ao desmatamento na região.

O aumento no desmatamento, as mudanças na fiscalização e o avanço da pandemia entre os povos indígenas marcaram as primeiras 20 semanas do ano na Amazônia. Em 10 tópicos nesta reportagem, o G1 coloca em perspectiva os desafios que a região enfrenta neste 2020.

O crescimento da destruição da floresta, já verificado no primeiro trimestre do ano, continua mesmo com o avanço do novo coronavírus. Só primeiros 7 dias de maio, por exemplo, o desmatamento aumentou 64% em relação ao mesmo período de 2019, segundo análise do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Considerando o acumulado desde o início de 2020, foram 1.536 km² desmatados na Amazônia, alerta o WWF-Brasil. O alto índice colabora para que o Brasil apresente uma previsão contrária à dos demais países durante a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Segundo análise feita pelo Observatório do Clima, divulgada nesta quinta (21), as emissões devem subir entre 10% e 20% no Brasil em 2020 em comparação com 2018, quando foram disponibilizados os últimos dados.

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriudurantea reunião ministerial de 22 de abril, que seria hora de fazer uma “baciada” de mudanças nas regras de proteção ambiental para evitar críticas e processos na Justiça.

Para ele, o governo deveria aproveitar o momento em que o foco da sociedade e da mídia está voltada para o novo coronavírus para mudar regras. A fala foi documentada em vídeo divulgado na sexta-feira (22) após a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello.

Depois da divulgação do vídeo, o ministro se justificou em uma rede social. “Sempre defendi desburocratizar e simplificar normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei. O emaranhado de regras irracionais atrapalha investimentos, a geração de empregos e, portanto, o desenvolvimento sustentável no Brasil”, disse Salles.

Abaixo, veja em 10 pontos por que a situação Amazônia é motivo de preocupação:

1- Primeiro trimestre tem recorde histórico de desmate

Os alertas de desmatamento na floresta Amazônica bateram o recorde histórico para o primeiro trimestre de 2020, se comparado ao mesmo período dos últimos quatro anos, quando começou a série de monitoramento do sistema Deter-B, do Inpe.

Nos meses de janeiro, fevereiro e março, foram emitidos alertas para 796,08 km² da Amazônia. É um aumento de 51,45% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve alerta para 525,63 km².

2 – Imazon alerta para recorde em abril

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou que o desmatamento da Amazônia, em abril de 2020, foi o maior dos últimos dez anos. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do próprio instituto, que aponta 529 km² de floresta derrubada.

Em comparação com o mês de abril de 2019, houve um aumento de 171%. Segundo a organização, quase um terço (32%) de toda a área desmatada está no Pará.

3 – Sistema do governo aponta alta de mais de 60% em abril

O sistema Deter-B, desenvolvido pelo Inpe, apontou que os alertas de desmatamento na floresta Amazônica cresceram 63,75% em abril, se comparado ao mesmo mês do ano passado. Neste ano, foram emitidos alertas para 405,6 km², enquanto no ano anterior, no mesmo período, foram 247,7 km².

Mato Grosso foi o estado com a maior área agregada a receber avisos de desmatamento em abril: foram 144,58 km² – correspondente a 35,6% do total devastado. Em seguida, está Rondônia, com 103,97 km². O terceiro é o Amazonas, com 76,88 km². Em março, o número de alertas foi 20,9% superior ao mesmo mês de 2019.

4 – Multas por por desmatamento estão paralisadas

Segundo a organização não-governamental Human Rights Watch, as multas por desmatamento ilegal na Amazônia foram praticamente suspensas desde outubro de 2019, por causa de um decreto do governo Bolsonaro. A medida estabelece que as penalidades devem ser revistas em audiências de conciliação, nas quais podem ser oferecidos descontos ou até anulações da infração.

De acordo com a ONG, agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicaram milhares de multas por desmatamento ilegal e por outras infrações ambientais na Amazônia e em outras partes do Brasil. No entanto, em apenas cinco casos, foram realizadas as audiências, que impuseram aos infratores a obrigação de pagar multa.

ONG Human Rights Watch alerta para falta de cobrança de multas por desmatamento no Brasil
ONG Human Rights Watch alerta para falta de cobrança de multas por desmatamento no Brasil

5 – Previsão de aumento nas emissões

As emissões de gases de efeito estufa devem subir entre 10% e 20% no Brasil em 2020 em comparação com 2018, último ano de dados disponíveis. A análise feita pelo Observatório do Clima coloca o país na contramão de outras nações. A expectativa é de que a recessão causada pela pandemia de Covid-19 leve a uma queda de 6% na emissão destes gases no planeta neste ano.

A razão para que o Brasil contrarie a tendência mundial é o forte aumento no desmatamento da Amazônia, segunda nota técnica do Sistema de Estimativas de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima divulgada nesta quinta-feira (21).

6 – Exonerações no ICMBio preocupam o setor

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse em reunião ministerial que o foco da mídia na cobertura da pandemia é oportunidade para promover mudanças em marcos regulatórios; Salles foi duramente criticado por entidades.

Em 13 de maio, o Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro e entidades do setor criticaram as mudanças estruturais promovidas no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A autarquia federal é responsável por gerir e fiscalizar as áreas de conservação no país. Entre as mudanças em curso, estava a exoneração em série de chefes de 18 unidades de conservação. Eles passaram a trabalhar em endereços mais distantes do foco das ações. Em um dos exemplos, a sede de fiscalização ambiental da Floresta da Tijuca, no Rio, foi transferida para a unidade do Ibama em São Paulo.

Para o MPF, as mudanças são um “desastre” e essa ação torna a fiscalização “acéfala”.

Na véspera, onze coordenações do ICMBio foram substituídas por cinco gerências regionais. A Associação Nacional de Servidores de Meio Ambiente (Ascema) afirma que cargos de poder dentro do ICMBio estão sendo ocupados por PMs.

Em fevereiro, outra movimentação do Ministério do Meio Ambiente gerou preocupação: a pasta demitiu duas autoridades de alto escalão que atuavam no combate às mudanças climáticas. Com o aumento do desmatamento, eleva-se também a emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

7 – Operações do Ibama geram reações dentro do governo

No dia 30 de abril, o Ministério do Meio Ambiente e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, exoneraram Renê Luiz de Oliveira e o coordenador de operação de fiscalização, Hugo Ferreira Netto Loss, responsável por operações contra crimes ambientais no Brasil.

Segundo funcionários do Ibama, os coordenadores foram ameaçados de exoneração do cargo após reportagem no Fantástico mostrar uma operação realizada pelo Instituto para fechar garimpos ilegais e proteger as aldeias de quatro terras indígenas no Sul do Pará: Apyterewa, Cachoeira Seca, Trincheira, Bacajá e Ituna Itatá.

Na ocasião, fiscais do Ibama apreenderam dezenas de armas e destruíram mais de 70 tratores e outros equipamentos.

Em nota, o Instituto Socioambiental (ISA) questionou as exonerações no Ibama, afirmando que não existia razão para demitir os fiscais “que diminuíram ou acabaram com o desmatamento” em Terras Indígenas. “Por que retirá-los no momento em que eles combatiam o garimpo?”, diz o ISA.

Procurado pelo G1, o Ministério do Meio Ambiente informou que “é prerrogativa do novo diretor compor a equipe com nomes capacitados e da sua confiança”.

Em fevereiro, uma outra operação do Ibama na terra indígena Ituna Itata, também no Pará, já tinha desagradado parte do governo por causa da destruição de equipamentos de garimpeiros. O garimpo em terra indígena conta com o apoio de Bolsonaro. Ele já declarou publicamente diversas vezes que é contra a queima de maquinário.

Em 5 de maio, o presidente deixou aparecer uma mensagem em que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro ressaltava que a Força Nacional não havia destruído máquinas de desmatadores durante operação do Ibama, em abril.

“Coronel Aginaldo da FN [Força Nacional] também nega envolvimento da FN nas destruições. FN só acompanha Ibama nas operações para segurança dos agentes, mas não participa da destruição de máquinas”, escreveu Moro. O site “O Antagonista” exibiu esse trecho das mensagens.

8 – Investigações apuram fraudes em manejos florestais

Em março, a Polícia Federal deu detalhes sobre as investigações que apuram a aprovação fraudulenta de Planos de Manejo Florestais, realizados por servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), em empreendimentos rurais para exploração de madeira.

A ações buscavam acobertar a exploração ilegal de madeira em áreas de proteção federal, como em terras indígenas e na Reserva Biológica Gurupi. Na prática, segundo a PF, o objetivo da associação criminosa era desmatar mais áreas florestais em áreas indígenas e federais para gerar mais dinheiro, a favor de empresas rurais e de servidores públicos.

As fraudes puderam ser comprovadas por imagens de satélite. Algumas fotos mostram a extração de madeira invadida na Reserva Indígena Arariboia, na área de floresta amazônica no Maranhão, que tem 413 mil hectares.

Área em vermelho mostra a área de desmatamento que excede a área azul, na Terra Indígena Arariboia — Foto: Reprodução/TV Mirante

Área em vermelho mostra a área de desmatamento que excede a área azul, na Terra Indígena Arariboia — Foto: Reprodução/TV Mirante

Segundo a PF, o grupo criminoso entrava com um pedido de desmatamento de uma área e explorava outra. As investigações foram lentas, segundo a PF, por conta de foro privilegiado de alguns investigados e documentos que sumiram da Sema.

Sobre as acusações, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, informou apenas que vai cooperar com todas as investigações, sempre que necessário, e que não foi procurado pela Polícia Federal a respeito da operação.

9 – Novo ‘Conselho Nacional da Amazônia’

Em janeiro de 2020, Bolsonaro anunciou a criação do Conselho da Amazônia Legal, para “coordenar as diversas ações em cada ministério voltadas para a proteção, defesa e desenvolvimento sustentável” do bioma.

Nos primeiros meses, já houve atritos: em fevereiro, o presidente excluiu os governadores da Amazônia Legal do conselho. O órgão passou a ser formado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e por 14 ministros do governo federal.

À TV Globo, Mourão afirmou que, mesmo sem compor o conselho, os governadores seriam consultados para estabelecer as prioridades para a região. Bolsonaro, na ocasião, reforçou que a presença dos governadores não faria sentido.

Como o novo Conselho, o governo pretende implantar nova dinâmica de fiscalização com apoio das Forças Armadas. Desde o começo de maio, o governo federal voltou a usar a garantia da lei e da ordem (GLO) para enviar militares à floresta. Na primeira fase da operação, o governo diz que vai empregar 3,8 mil homens e 122 veículos ao custo de R$ 60 milhões para atuar no combate ao desmatamento ilegal e aos focos de incêndio na região.

10 – Fiscais atacados e emboscada

A Polícia Federal investiga as agressões sofridas no começo de maio por um fiscal do Ibama em Uruará, no sudoeste do Pará. O fiscal teria apreendido um caminhão que transportava madeira ilegal na região. Os madeireiros prepararam uma emboscada para impedir que o veículo fosse apreendido. Durante a discussão, um dos madeireiros joga uma garrafa contra o fiscal e o atinge no rosto.

E mais: mudança na regularização de ocupação de terras públicas

A regularização de terras da União por meio de autodeclaração dos próprios ocupantes foi tema de debate e mobilização neste mês. O presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória sobre o assunto em dezembro do ano passado. Com validade de 120 dias, a matéria precisaria ser votada até 19 de maio no Congresso, mas isso foi descartado. No lugar da MP, o deputado Zé Silva (SD-MG), líder do Solidariedade, protocolou um projeto de lei.

Para entidades de defesa do meio ambiente, nem a MP e nem o projeto de lei oferecem mecanismos fortes de controle da grilagem e de cumprimento da legislação ambiental. Entenda aqui o que está em jogo.

Fonte: g1.globo.com

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