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Barco que desapareceu de Fernando de Noronha é encontrado na Guiana Francesa

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Segundo a Maria, Barco Maria Bonita VI foi encontrado na Guiana Francesa — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

O barco de turismo Maria bonita VI desapareceu de Fernando de Noronha em 27 de maio e foi encontrado na Guiana Francesa mais de um mês depois, de acordo com a Marinha. A localização do barco surpreendeu os navegadores experientes residentes em Noronha, que analisaram fatores que podem descrever como o barco viajou mais de 2.000 quilômetros sem tripulação.

Para eles, o vento, a configuração da embarcação e a corrente como fatores que contribuíram para o deslocamento. O engenheiro de pesca Léo Veras, que vive em Noronha há 31 anos e é proprietário de duas embarcações, explicou que a embarcação deve ter sido transportada pela corrente equatorial.

“O sistema de corrente equatorial do sul é muito forte. A corrente que vem da África para a América do Sul é apressada. Perto do Ceará, a corrente se eleva para o norte”, disse Veras.

A aceleração das correntes é um fenômeno que acontece durante todo o ano, mas, segundo o engenheiro pesqueiro, em 2021 ela é mais forte do que o normal.

Com 49 anos de experiência no océano, o radioamador e capitão de barco Carlos Marenga disse que ficou surpreso ao saber da identificação do barco em um ponto tão distante. “O común é que os barcos à deriva de Noronha são encontrados na costa brasileira, até o Ceará”, disse Marenga.

Marenga é conhecida na ilha por apoiar o resgate de barcos e naufrágios, localizando também os barcos à deriva. Como ele conhece bem as correntes marítimas da região, ele ajuda nas buscas e faz contato com os barcos que possam estar por perto. Além disso, ele também trabalha como profissional especializado na transferência de barcos para Noronha, como capitão oceânico.

Para Marenga, a razão para a Maria Hermosa VI, que estava sem tripulação, ter ido tão longe está ligada ao vento do dia e também ao tipo de construção da embarcação. “No dia em que desapareceu, a velocidade do vento era de 25 nós [45 quilômetros por hora], o que é um vento muito forte”, disse ele.

“O Maria bonita VI é um barco que tem um lado e cabine elevados. Isso funcionou como uma espécie de vela. O vento empurrou o barco, que pegou a corrente que levava amarré para a região da Guiana Francesa”, disse Marenga.

Veras concordou com a análise de Marenga, apontando que a soma dos dois ventos e a corrente com a configuração do barco ajudam a descrever como o Maria Hermosa chegou à Guiana Francesa sem ninguém dentro.

O barco foi ancorado no Porto de Santo Antônio e acabou se soltando da bóia, ficando à deriva no dia 27 de maio. Em uma nota, a Marinha explicou que soube em 30 de junho que o barco estava localizado a mais de 230 quilômetros da costa da Guiana Francesa.

O proprietário do barco Maria bonita VI, Paulo Fatuch, informou ao G1 que ainda não foi informado do local e que não tem planos de recolher o barco.

O radioamador comparou a localização do barco Feliz Tripulante, usado nos anos 90 na gravação da série Riacho Doce da TV Globo, que também estava à deriva sem tripulação e foi encontrado em Areia Branca, no Rio Enorme do Norte, a 500 quilômetros de Noronha.

“O Feliz Navegante é um barco baixo, sem cabine. O vento na etapa em que ele desapareceu era mais fraco, isto contribuiu para seu aparecimento mais próximo a Fernando de Noronha, no Rio Enorme do Norte”, comparou Marenga.

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